quarta-feira, abril 11, 2007

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Apontamento indiscreto sobre o dia a dia numa grande multinacional

No escritório tinhamos direito até há poucas semanas a um item de forma totalmente gratuita: café.

Isto além de, obviamente, cargas de trabalho infernais dignas de Sísifo.

Este cenário modou radicalmente esta semana.

Agora além de café temos direito a maçãs.

Maçãs verdes, carnudas, sumarentas, com um delicioso travo ácido. Enfim, maçãs perfeitas (segundo o meu palato claro).

E no entanto não há bela sem senão.

No caso concreto o mix de gratuitidades disponível na firma poderá revelar-se uma situação catastrófica para a produtividade dos seus elementos: desconfio que o mix de macâ verde + café vai congestionar as casas de banho da bela instittuição onde trabalho nos próximos tempos...

Em relação ao momento Brokeback citado atrás (AKA enrabanço)

Foi de facto um momento um bocado duro.

Nem tive direito a vaselina nem nada.

Pela primeira vez desde que comecei a trabalhar perdi a conta ao número de cafés por mim ingerido ao longo do dia.

O que é mais ingrato nestas maratonas nocturnas é que quando se trabalha, ao contrário dos tempos aúreos de faculdade, não nos podemos baldar às aulas nem ir arrochar no dia seguinte.

Nops.

Temos de estar firmes e hirtos logo pela manhã para novo dia de trabalho.

Então lá está um tipo a olhar toda a noite para o relógio a verem desaparecer a um ritmo alucinante as horas de sono tão necessárias para manter um mínimo de sanidade mental ao longo do dia.

É terrivelmente angustiante de facto.

Mas sobrevivi e como um colega meu muito sabiamente me disse quando entrei para aqui: "Vais descobrir que o corpo humano tem níveis de resistência bem superiores àqueles que conheces..."

Yuuuupie, férias grandes, weeeeeeee!!!!

Ou então sou eu que estou extasiado com o dia de férias que tirei e que começou oficialmente há cerca de 2 horas.

Sabe mesmo bem poder passar o dia a não fazer um caraças.

Hoje o dia foi constituído basicamente por:

1) dormir até às 2 da tarde

2) arrastar-me como uma lesma até ao pequeno almoço

3) gastar 1 hora no pequeno almoço

4) espetar-me na cadeira do quarto a por as leituras em dia

5) arrastar-me como um caracol para o lanche

6) enfiar-me num banho de imersão num ambiente estilo sauna

7) ir ver o clássico da Luz com o Ângelo e aproveitar para fazer uma análise detalhada das diferenças entre a Bohemia e a Stout (fiz várias análises, note-se)

8) arrastar-me como uma preguia para casa e emborcar uma ceia tamanho jumbo

9) ver em ritmo devorador filmes no DVD da sala

10) voltar para o quarto e colocar em dia as leituras de net

A pergunta que se coloca é: conseguirá o Paraíso ser melhor que isto?

Não creio...

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Hoje vou levar com o primeiro enrabanço à séria desde que cheguei a esta bela casa...

Yap, 7 da manhã e já me apercebi que o deadline para as três da tarde é totalmente irrealista.

Fuck...

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Apetece-me colocar um pouco de rimel...



Obviamente estou a ouvir Depeche Mode.

domingo, fevereiro 19, 2006

O que dá obrigarem um gajo do MRPP acompanhar os sogros a Fátima...

- Minha senhora, desculpe lá, mas o preço está correcto?
- Está sim senhor.
- Mas, 85€ por este crucifixo não é um bocadinho puxado?
- É um crucifixo oficial de Fátima, não é uma das imitações que agora se vêm por aí.
- Mas então não tem algo mais em conta?
- Temos o crucifixo simples, sem a escultura de Nosso Senhor Jesus Cristo.
- Então mostre-me lá a cruz sem o atleta a segurar nos pesos.
- ...

Transladação reflexiva...

Olho para a transmissão em directo da transladação do corpo da Irmã Lúcia e dou por mim a perguntar: porque é que a Nossa Senhora e toda a panóplia de Santos, Beatas e restante panóplia de entidades celestiais surgem sempre a pastorinhos, aleijadinhos e demais entidades terminadas em "inho"?

Porque é que todas as entidades presumivelmente representantes da mensagem de Deus na Terra nunca surgem a um professorm universitário, a um médico cirurgião, a um tipo da Wall Street?

Será a cultura e a emancipação intelectual um factor limitativo da capacidade de receber uma mensagem dos Céus?

Se a ideia é espalhar a mensagem não seria mais eficaz entrar em contacto directo com os melhores veículos de difusão de ideias, tipo o São Pedro entrar pela redacção da TVI adentro e dar uma entrevista em directo com a Manuela Moura Guedes?

São este tipo de questões que eu consecutivamente me coloco quando reflicto sobre a religião e mais concretamente sobre as manifestaçãos religiosamente orientadas da fé em Deus.

Respeito (apesar de não partilhar) a fé das pessoas em algo superior mas abomino as religiões e o enquadramento da fé em actos de rotina e práticas do mais puro mercantilismo.

AHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!



É A MARIA JOÃO BASTOS!!!!!!!!!!!!!!!!!

(Já referi que ando a ficar maluco por só ver camafeus à minha volta 12h por dia?)

sábado, fevereiro 18, 2006

Fábio

Fábio é um electricista em Ansião. O Fábio é também (e será aqui que se distingue dos demais electricistas de Ansião e, quiçá, de Portugal) um artista.

Um performer do nacional cançonetismo português, em concreto.

O Fábio acha que em Portugal os artistas não são apoiados. E que isso é mau, porque "é mau para o País".

O Fábio acha que existe muita inveja no sector. Acha que os "mais novos" não respeitam os artistas quando eles "chegam a artistas".

O Fábio gosta de "deixar uma palavra de agradecimento a todos aqueles que me apoiam em geral e ao público ouvinte em particular" duas vezes por frase. O público ouvinte deseja que o artista tenha "muito sucesso e dinheiro porque é novo e Deus há-de ajudá-lo" quatro vezes por frase.

O Fábio canta em português porque "é o que o povo gosta". Não disse quando iria satisfazer outros povos com os seus dotes de "cantor, arrangista e músico completo".

O Fábio ri-se muito quando conta a vez em que teve de actuar às escuras porque as luzes do palco tiveram um problema eléctrico. O Fábio electricista não parece esta à altura do Fábio artista.

O Fábio gosta também de referir que é humilde. Conta que quando assina fotografias suas e distribui "beijocas" pelas suas fãs se sente "uma pessoa normal".

O Fábio esteve hoje entre as 11h30 e o meio dia na Rádio Ansião e tornou uma já de si complicada ida sábado de manhã ao barbeiro numa experiência twilight zone.

Foda-se...

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Futebol

Desde que comecei a trabalhar que deixei de gostar tanto da arte do pontapé na bola.

Isto pode parecer um contra senso dado estar integrado num espaço onde discutir futebol é quase obrigatório para sobreviver socialmente.

Ou, more lightly, encontro-me rodeado de maluquinhos da bola.

O facto de dia após dia se discutir as pequenas politiquices da bola, onde é necessário existir confronto e discussão no virar de cada conversa, onde pessoas adultas perdem horas infinitas a relatar a pontuação que obtiveram na Liga Record ou em que a OPA sobre a PT passa para segundo plano a partir do momento em que um cromo do Porto denunciou um cromo do Benfica....

... bem aí um gajo revê o gozo que lhe dá o futebol.

Para mim o futebol é um Porto - Benfica sábado à noite no café com os amigos, rodeado de finos e tremoços.

É um Académica - Marmeleja de Baixo debaixo de chuva a berrar que nem um desalmado "Briosa, Briosa".

É um rever mental infindável do último monumento artístico criado pelo Ronaldinho.

É tudo isso e muito mais mas não é certamente aquilo que diariamente ouço aqui dentro.

E exactamente por isso hoje o futebol enfastia-me mais do que me entusiasma.

Enfim, nada que um fim de semana em Coimbra não cure.