Com a sua devida licença, é uma merda!
Algumas coisas deixam-me fora de mim. Aliás, confesso desde já que sou um indivíduo extremamente emotivo em certas situações.
Serve este preâmbulo para vos introduzir o quadro psico-patológico que dada discussão produziu em mim. Dizia-me um amigo que tinha encontrado um blog muito bom, ao caso o Casmurro.
Curioso, fui dar uma espreitadela e após uma boa meia hora a ler post aqui, post acolá, exprimi o meu vaticínio: "É uma porcaria pá."
O choque dele não poderia ser maior e entramos numa discussão sem conteúdo que terminou num muito cordato "It takes two to tango and there's only one..."
Fiquei a remoer e decidi vir aqui explicar-lhe a razão da minha, aparentemente, brutal afirmação.
Não gosto do formato "elaborado" da escrita lá empregue (ter necessidade de um dicionário para perceber a mensagem nunca foi sinal de excelência - inteligência - comunicativa).
Não gosto do estilo de piada inteligente sem graça.
Não tenho pachorra para as infindáveis referências literárias lá presentes (além de as considerar um sinal inconfundível de presunção - para não dizer cagança - cultural) - uma é bom, duas é muito, três é demais.
Referências infinitas a Groucho Marx chateiam até quem gosta dos memoráveis filmes do mesmo.
Mas confesso, o coup de force ocorreu quando li estas proverbiais considerações sobre ter ou não ter caixa de comentários:
"A caixa de comentários responde a dois desejos que não devem ser encorajados: o dos comentadores, claro, mas também o dos comentados. Da parte destes, a abertura ao comentário deriva do desejo de obter reacção imediata ao que se escreveu. Desejo apenas tolerável como ansiedade de principiante, porque incompatível com a escrita.(...)
O bloguista, esse, que se contente com ecos, sussurros, uma palavra aqui ou ali: se chegarem, ainda bem, se não chegarem, não lhe compete ir à procura. É assim mesmo, e de nada adianta imaginar que a técnica oferece antídoto eficaz para esta ingratidão.(...)
Da parte do comentador, o desejo de comentário é o desejo de se exprimir facilmente, sem custos — de borla. O blogue alimenta essa ilusão de que qualquer um pode escrever e qualquer um tem coisas para dizer. A pequena-burguesia muito expressiva, portanto."
Portanto, um gajo que escreve um blog e abre uma caixa de comentários é no fundo um vicioso em busca de interacção com o leitor, o gajo que escreve comentários é um anormal incapaz de fazer mais do que isso e, isto já sou eu a concluir, em face dessa situação o melhor é mandarmos abaixo o blogspot & company e voltarmos todos para as bibliotecas e livrarias de onde a arte da escrita nunca deveria ter saído.
(mil vezes dizer que se está literalmente a cagar para a opinião de quem lê aquilo que escreve no blog - já agora se toda essa interacção é abominável, porque é que não guardar os escritos só para si num baú ao fundo da cama em vez de os tornar públicos na internet?)
Face aos motivos supracitados vejo-me portanto obrigado a concluir que, dado o meu quadro valorativo, considero o blog em causa uma bela merda, não negando com isso a existência de opiniões distintas da minha, opiniões essas que poderão levar a tecer exactamente esta mesma consideração relativamente ao meu blog.
PS - Obrigado Francisco, por teres sido o leif motiv do post mais ácido aqui do sítio até à data...




Alexandre, se estivesse presente nessa discussão estaria do lado do teu amigo. Dançaria o tango com ele, salvo seja, e tu ficavas a fazer de DJ.
Sinceramente gostei bastante do blogue. Não achei aquela escrita pretensiosa, mas antes obcessivamente cuidadosa; cuidadosa no sentido em que os gajos escrevem com a mesma concentração e cuidado que os putos colocam na construção de casas em legos.
Se essas casas me agradam ou não, bem, devo dizer que sim, pelo menos as que visitei. A sátira ao Dias da Cunha está porreira, e fez-me sorrir; a brincadeira com o cigarro pensativo do Eça é óptima. Fez-me rir. Acreditas que, pelo menos nesses textos, e com as devidas diferenças em termos de referências e estilo, achei que havia ali uma semelhança com merdas que já escrevi no blogue?
Se os gajos são um bocado vaidosos? Claro que sim, mas isso somos todos.
Enfim, olha, um abraço!
Pá, não consigo lidar nada bem com o pretensiosismo intelectual.
Reconheço que aquilo tem uma qualidade de escrita em termos literários queeu nem sequer almejo alcançar, de tal maneira está a anos luz dos meus textos.
Reconheço que em dados momentos aquilo tem alguma piada.
Reconheço que o termo empregue pela minha pessoa na classificação do mesmo foi excessiva (lá está, sou um gajo impulsivo).
Mas aquele pretensiosismo, meu Deus, aquele pretensiosismo...
PS I - Olha, até discordar de ti é um prazer: consegues sempre manter um dose de sensatez que tantas vezes me falta.
PS II - Se quiseres arranjo-te o número do Francisco. Mas aviso-te desde já que o gajo é capaz de não ser muito cooperante no que toca a dançar um tango contigo, se é que me entendes...